Utilidade

por SergePavkinMusic/pixabay

Você já refletiu sobre como utiliza o conhecimento que adquire? Compartilha e aplica esse saber, ou o acumula sem propósito, deixando-o apenas como algo que alimenta sua própria satisfação pessoal?

A frase “Sou um eterno aprendiz” é frequentemente ouvida, mas o que ela realmente significa? Ela pode demonstrar humildade e abertura para o aprendizado, mas também serve como um convite à introspecção: estamos verdadeiramente comprometidos com a busca do saber ou nos deixamos levar pela sensação de já ter atingido patamares que nos afastam da simplicidade?

Nos Altos Graus do Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA), essa questão é tratada com profundidade em diversas passagens iniciáticas. Refletimos sobre a importância de vigiar pensamentos e atitudes, para não nos tornarmos vítimas de um pedestal que, por vezes, construímos ao longo de nossa jornada.

É natural que, ao atingir o Grau 33, alguns Mestres Maçons passem a enxergar o caminho de forma diferente. Contudo, isso não deve nos afastar daqueles que ainda estão no início da jornada. É importante lembrar que todos, um dia, estivemos na base da escada, aprendendo e crescendo. A conexão com essas raízes mantém o conhecimento vivo e significativo.

O que acontece com o saber que não é utilizado? Ele tende a perder sua relevância, como algo esquecido e sem aplicação prática. Por isso, é essencial que o conhecimento seja movimentado: compartilhado, aplicado e vivido de forma a beneficiar não só quem o detém, mas também os que caminham ao seu lado. O aprendizado é infinito, e esse infinito só se revela a quem permanece curioso e engajado.

A utilidade do conhecimento está intrinsecamente ligada ao princípio da fidelidade – fidelidade a um propósito maior, à construção de algo que vá além de nós mesmos. Os Graus 30 a 32 nos convidam a refletir sobre isso por meio de histórias, lendas e alegorias que exaltam grandes civilizações e mentes brilhantes que marcaram a humanidade. Sem fidelidade a esse ideal, o saber perde sua essência transformadora.

Por isso, pergunte-se: o que você está fazendo com o conhecimento que recebeu? Ele está guardado ou sendo usado para inspirar e auxiliar aqueles que trilham o mesmo caminho que você percorreu? O conhecimento que colocamos em prática, com sinceridade e propósito, se perpetua. É assim que deixamos um legado significativo, capaz de transformar o meio em que vivemos e de sermos lembrados por aqueles que virão depois de nós.

Por Rogério Mauri, 33


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