Fidelidade ao dever que a vossa consciência vos impõe

por pixabay/white_records

“Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne uma lei universal.”

— Immanuel Kant, Fundamentação da metafísica dos costumes (2003, p. 47)

Esse é o primeiro grande chamado ao Mestre Maçom que inicia sua jornada pelos Altos Graus do Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA). É um marco ético-filosófico que inaugura uma nova etapa no processo de lapidação interna do ser. A partir do Grau 4 — o Grau de Mestre Secreto —, o maçom é convidado a refletir sobre a natureza do dever moral, não como algo imposto de fora, mas como uma exigência profunda da própria consciência.

Essa máxima, que ressoa diretamente com a filosofia moral de Immanuel Kant, representa muito mais do que um ideal abstrato. Trata-se de um ensaio prático de conduta, de um princípio que será expandido e aprofundado ao longo dos 33 graus do REAA. Compreender esse ensinamento é fundamental para a formação do homem que deseja construir um mundo melhor — objetivo essencial da Maçonaria.

A proposta transformadora do REAA não é modificar o mundo por meio de estruturas externas, mas sim modificar o homem. É na sua evolução moral e racional, no refinamento de sua consciência e na expansão de sua compreensão do bem, que reside a verdadeira revolução maçônica. O rito propõe a edificação de uma nova ordem social baseada na Equidade, Fraternidade e Paz — valores que só podem emergir de indivíduos comprometidos com sua própria retidão interior.

Para isso, o Mestre Maçom é chamado a engajar-se ativamente na liturgia dos graus, passando por diversas etapas iniciáticas de alto impacto simbólico e emocional. Cada cerimônia é uma oportunidade de mergulho interior, de desenvolvimento da razão, de reflexão ética e espiritual. Essa jornada propõe uma busca por Justiça — não uma justiça punitiva, mas uma justiça universal, orientada pelo dever de ser e estar no mundo com propósito coletivo: a busca pela felicidade humana e pela harmonia com o planeta e todos os seres que o habitam.

Esse trabalho começa na própria Loja Maçônica, no cotidiano de sua estrutura: no comprometimento com os trabalhos, no exercício dedicado dos cargos, no domínio da liturgia e no respeito às normas que sustentam o rito. É nesse espaço sagrado que o Mestre forja, tijolo por tijolo, a sua conduta.

Por fim, é através da fidelidade ao dever que a própria consciência lhe impõe que o Mestre Maçom dos Altos Graus reafirma — diante dos símbolos sagrados da Maçonaria — seu compromisso com a construção de um homem melhor. E é apenas por meio de homens melhores que poderemos, um dia, alcançar um mundo mais justo, mais fraterno e mais consciente.


📚 Referência:
KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. Tradução de J. Mondin. São Paulo: Edições Loyola, 2003.

Por Rogério Mauri, 33


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