O Container

por pixabay/DSTechnician

Este estudo será apresentado em três artigos e tem por propósito investigar uma questão central: como a realidade se forma — não apenas no mundo físico, mas no campo invisível onde pensamento, símbolo e intenção se encontram.

Aqui nos apoiaremos em tradições diversas que, embora distantes no tempo e na linguagem, parecem apontar para o mesmo horizonte: Platão e o Mundo das Ideias; Jung e o Inconsciente Coletivo; a Física Quântica e o Campo das Possibilidades; além de ecos da Filosofia Oriental.

Há, também, uma linha de aproximação sutil — mas consistente — com os estudos dos Altos Graus do REAA. Trata-se de um terreno que merece atenção do Mestre Maçom que deseje aprofundar-se para além das interpretações superficiais.

A metáfora do “container”

Nesta primeira reflexão, buscamos compreender aquilo que chamarei de container: um recipiente simbólico, com limites definidos, como uma caixa separada da realidade imediata — mas que, paradoxalmente, a antecede.

Platão chamaria isso de Mundo das Ideias: um espaço onde as coisas existem em estado puro, antes de assumirem forma concreta. Podemos imaginar o container como um estágio de pré-formação da realidade, onde qualquer acontecimento passa primeiro por um processo de concepção, intenção ou energia.

Ele não é um objeto físico. É um espaço mental, simbólico e arquetípico, onde a realidade começa a ser moldada antes de se tornar palpável.

Entre o psíquico, o simbólico e o místico

Em linguagem psicológica, o container pode ser entendido como a capacidade de alinhar consciente e inconsciente. O que é gestado internamente busca caminhos para se manifestar externamente.

Jung descreve isso como acesso ao Inconsciente Coletivo, reservatório de símbolos universais que nos orientam sem que percebamos.

Na leitura quântica, o mundo não é fixo: ele existe como probabilidades, até que haja observação. O container seria esse campo de potencialidades, e a mente — ao focar intenção — age como observador que escolhe qual realidade emerge.

As tradições orientais descrevem o mesmo mistério com outras palavras:

  • no Taoísmo, o Tao é o fluxo invisível que antecede todas as formas;
  • no Budismo, fala-se da vacuidade, o nada fértil de onde tudo surge;
  • na meditação, aprende-se a perceber o instante anterior à cristalização do real.

O trabalho interior

Se há um container, então existe um espaço onde tudo permanece puro, pronto para ser acessado, transformado e materializado.

Nos Altos Graus do REAA, quando a Luz desponta do Oriente para o Ocidente, inicia-se o trabalho. Reconhecer o container é reconhecer que aquilo que virá a ser já existe, em potência — e depende de nossa forma de acessar, compreender e operar intenção.

O mundo, então, deixa de ser um acaso: o mundo é, antes de tudo, mental.

Apenas reconhecer a existência do container já inaugura uma mudança profunda: saímos de uma vida conduzida pelas circunstâncias para uma vida conduzida pelo sentido. Um mundo melhor não nasce do acaso — nasce de um pensamento, de uma intenção bem dirigida.

Guarde, portanto, esta ideia: O Container.

Nos próximos artigos, daremos um passo além — aquilo que agora está sendo gestado no Mundo das Ideias, aguardando seu tempo de materialização.

Por Rogério Mauri, 33


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