E as Trevas não a compreenderam

Por Clavier-Music/pixabay

1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

2 Ele estava no princípio com Deus.

3 Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez.

4 Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.

5 E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam

Eu, você e tudo o que há estávamos lá, no princípio. Eu, você e tudo o que há estaremos lá, no final. Ou então, eu, você e tudo o que há apenas estamos aqui, no eterno presente, no infinito.

Apesar dessa incerteza, há uma verdade: um movimento que se entrelaça entre a Luz e as Trevas, entre a Ordem e o Caos. A esse movimento chamamos Vida.

No contexto bíblico, essa passagem do Evangelho de João anuncia a chegada do Cristo, a Luz diante da ignorância do mundo e a rejeição do mundo a essa Luz.

Esse embate entre Luz e Trevas é o palco onde a Vida se desenvolve. A Luz simboliza a sabedoria e o amor que se propagam, enquanto as Trevas buscam a Luz, pois a desejam, mas ao mesmo tempo a rejeitam, dada a sua natureza contrária entre o dar e o receber.

Contudo, esse desejo de receber com o propósito de dar é o que impulsiona o homem em direção à Luz, afastando-o dos reinos do inanimado, do vegetativo e do animal inferior. É o que o projeta na busca pela equivalência de forma com o Criador, a Luz Infinita, que apenas doa.

O aprendizado maçônico explora essa questão desde o momento em que o profano é acolhido como um novo irmão. A ele é dada a Luz do conhecimento, o que ocorre por meio da remoção dos véus das paixões e do trabalho incessante de lapidar a pedra bruta que o prende ao mundo material. As necessidades que o próprio Criador colocou em seu coração o impulsionam ao movimento. No sofrimento, como o maço que golpeia o cinzel sobre a rocha disforme, o homem molda sua essência, conferindo-lhe forma, beleza, ângulo e proporção.

Nesse confronto, que ilustra o movimento da Vida, encontra-se a resposta para ‘e as Trevas não a compreenderam’. Essa é a fórmula benevolente do Criador, ou do Grande Arquiteto do Universo, o princípio da criação, que resgata o homem e o guia em direção à Luz, sua morada definitiva.

Por Rogério Mauri, 33


Uma resposta para “E as Trevas não a compreenderam”.

  1. Texto Lapidar! Ele massageia o “eu”, a chama que cada irmão deve carregar dentro de si. Faz com que haja exercício filosófico na busca pela sabedoria.

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